Como contratar Jovem Aprendiz: passo a passo para empresas

Como contratar Jovem Aprendiz: passo a passo para empresas

Contratar um Jovem Aprendiz envolve mais do que abrir uma vaga. A empresa precisa conhecer sua cota, escolher um programa de aprendizagem adequado, formalizar o contrato e acompanhar a formação do jovem até o fim do programa.

Quando essas etapas são planejadas em conjunto, a contratação atende às exigências legais e cria melhores condições para o desenvolvimento do aprendiz na empresa.

Antes de começar: o contrato do aprendiz está vinculado a um programa de aprendizagem profissional. A formação teórica e as atividades práticas fazem parte do mesmo processo e devem ocorrer durante a vigência do contrato.

Quem pode ser Jovem Aprendiz?

De forma geral, pode ser contratado como aprendiz o adolescente ou jovem com idade entre 14 e 24 anos incompletos, inscrito em um programa de aprendizagem profissional. Para pessoas com deficiência, não se aplica o limite máximo de idade.

Se ainda não concluiu o Ensino Médio, o aprendiz também deve estar matriculado e frequentar a escola regular, observadas as exceções previstas na legislação.

O contrato de aprendizagem é um contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado. Nele, a formação profissional faz parte da própria relação de trabalho.

Como contratar Jovem Aprendiz: passo a passo

Embora cada empresa tenha suas particularidades, os passos abaixo ajudam a organizar a contratação e a gestão do programa.

1. Verifique se o estabelecimento precisa cumprir a cota de aprendizagem

O primeiro passo é verificar se o estabelecimento está obrigado a contratar aprendizes. Estabelecimentos de qualquer natureza com pelo menos 7 empregados em funções que demandem formação profissional estão, em regra, sujeitos à cota.

A quantidade de aprendizes não é calculada simplesmente sobre o total de empregados da empresa. É preciso identificar as funções que integram a base de cálculo e aplicar os percentuais de 5% para a cota mínima e 15% para a cota máxima, observadas as exclusões legais.

Entenda como calcular a cota de aprendizagem →

Calcular a cota de aprendizagem →

2. Escolha a entidade formadora e o programa de aprendizagem

A contratação deve estar vinculada a um programa de aprendizagem profissional desenvolvido por entidade qualificada para oferecer a formação.

Entre as entidades previstas na legislação estão os Serviços Nacionais de Aprendizagem, escolas técnicas de educação, entidades sem fins lucrativos que atendam aos requisitos legais e entidades de prática desportiva habilitadas.

Antes de contratar, verifique a situação da entidade e do curso no Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP). Avalie também se o programa está disponível na localidade e se suas atividades são compatíveis com a formação prática planejada pela empresa.

Consultar informações oficiais sobre entidades e cursos de aprendizagem →

3. Defina o perfil e as atividades do aprendiz

Com a necessidade de contratação e o programa identificados, a empresa pode definir o perfil da oportunidade.

Avalie a área em que o aprendiz realizará a formação prática, as tarefas previstas, a jornada, o local das atividades e quem será responsável por orientá-lo no dia a dia.

As atividades práticas devem ter relação com o programa de aprendizagem e contribuir para a formação técnico-profissional do jovem. O aprendiz é um profissional em formação, e essa condição precisa orientar a distribuição das tarefas.

4. Faça o recrutamento e a seleção

Com o perfil definido, a empresa pode iniciar o recrutamento e a seleção dos candidatos, diretamente ou com o apoio da entidade formadora, conforme o modelo de atendimento escolhido.

Além dos requisitos da oportunidade, confira a idade, a situação escolar e as condições de participação no programa de aprendizagem.

A seleção também permite conhecer os interesses do jovem, seu potencial de desenvolvimento e a relação entre suas expectativas e a área em que realizará as atividades práticas.

5. Formalize o contrato de aprendizagem

Selecionado o candidato, a contratação deve ser formalizada por meio de contrato escrito de aprendizagem, com os registros trabalhistas aplicáveis e a matrícula no curso.

Na contratação direta, o estabelecimento assume a condição de empregador do aprendiz. Na contratação indireta, admitida de forma supletiva nas condições legais, a entidade autorizada assume essa condição. A definição do modelo deve ocorrer antes da formalização do contrato.

De acordo com o Manual da Aprendizagem Profissional, o contrato deve indicar expressamente:

  • as datas de início e término, compatíveis com o prazo do curso;
  • o nome e o número do curso em que o aprendiz está matriculado;
  • as cargas horárias teórica e prática;
  • a função, as jornadas diária e semanal e os horários das atividades teóricas e práticas;
  • a remuneração pactuada;
  • os dados do empregador, do aprendiz e da entidade formadora;
  • os locais onde ocorrerão as atividades teóricas e práticas;
  • a descrição das atividades práticas;
  • o calendário de aulas teóricas e práticas.

O início das atividades teóricas e práticas deve ocorrer dentro da vigência do contrato. Para conhecer as regras de prazo, assinatura e encerramento, consulte o conteúdo específico sobre o contrato de aprendizagem.

Entenda as regras do contrato de aprendizagem →

6. Organize jornada, salário e direitos do aprendiz

O aprendiz possui direitos trabalhistas e previdenciários. Sua remuneração deve respeitar, em regra, pelo menos o salário mínimo-hora, salvo condição mais favorável aplicável.

Entre seus direitos estão 13º salário, férias, FGTS com alíquota de 2% e vale-transporte, observadas as regras da aprendizagem profissional.

A jornada deve estar de acordo com o curso, o contrato e os limites legais. As horas de formação teórica e as atividades práticas integram a jornada e devem ser consideradas na definição do salário.

Veja como calcular o salário do Jovem Aprendiz →

Conheça as regras da jornada de aprendizagem →

7. Prepare a empresa para receber o aprendiz

Antes do início das atividades práticas, gestores e equipes precisam conhecer o objetivo do programa, as tarefas previstas e os limites da atuação do aprendiz.

Quando a prática ocorrer no estabelecimento, a empresa deve designar um profissional para coordenar e acompanhar as atividades do jovem, em articulação com a entidade formadora.

Esse acompanhamento ajuda o aprendiz a compreender suas tarefas, receber orientações e avançar gradualmente na formação.

8. Acompanhe a formação teórica e prática

A formação teórica, conduzida pela entidade formadora, e as atividades práticas integram um mesmo programa. Empresa e entidade devem acompanhar a execução do curso e o desenvolvimento do aprendiz ao longo do contrato.

Isso inclui observar frequência, desempenho, evolução nas atividades e eventuais dificuldades. O diálogo entre gestor, aprendiz e entidade formadora permite corrigir problemas durante a formação, sem esperar o encerramento do contrato.

9. Acompanhe o cumprimento da cota

A responsabilidade do estabelecimento não termina com a admissão. Mudanças no quadro de empregados, encerramento de contratos e alterações nas funções que compõem a base de cálculo podem modificar a quantidade de aprendizes necessária.

Por isso, acompanhe periodicamente a base de cálculo e o número de aprendizes ativos. O Ministério do Trabalho e Emprego também disponibiliza a Certidão de Regularidade na Contratação de Aprendizes para consulta da situação do estabelecimento.

Consultar a Certidão de Regularidade →

Checklist para contratar Jovem Aprendiz

Antes de iniciar o programa, confira os principais pontos:

  • verificar a obrigatoriedade e calcular a cota do estabelecimento;
  • consultar a entidade formadora e o curso no CNAP;
  • definir a área, as atividades, a jornada e o perfil da oportunidade;
  • realizar o recrutamento e a seleção;
  • matricular o jovem no programa de aprendizagem;
  • definir a modalidade de contratação e formalizar o contrato;
  • realizar os registros trabalhistas necessários;
  • preparar o gestor e o ambiente de formação prática;
  • acompanhar as atividades teóricas e práticas;
  • monitorar o cumprimento da cota ao longo do programa.

Importante: contratar Jovem Aprendiz não se resume a preencher uma vaga. Empresa, entidade formadora e aprendiz participam de um processo de formação que precisa ser acompanhado durante todo o contrato.

Quais as vantagens de contratar Jovem Aprendiz?

A aprendizagem oferece ao jovem uma oportunidade de ingressar no mundo do trabalho com formação e acompanhamento. Para a empresa, um programa bem conduzido também pode contribuir para:

  • formar novos talentos;
  • desenvolver profissionais que conheçam a cultura e as atividades da organização;
  • trazer novas perspectivas para as equipes;
  • fortalecer iniciativas de inclusão produtiva;
  • identificar candidatos para futuras oportunidades.

Esses resultados dependem da qualidade do programa, das atividades oferecidas e do acompanhamento realizado pela empresa e pela entidade formadora.

Precisa contratar Jovens Aprendizes?

Informe as localidades, a quantidade estimada de vagas e as necessidades da sua empresa para avaliar soluções de contratação e gestão do programa.

Quero contratar aprendizes →

Fontes oficiais

Este conteúdo foi elaborado com base, principalmente, nas seguintes referências:

Conteúdo atualizado em setembro de 2026.

Igor Cabral

Igor Cabral é especialista em Aprendizagem Profissional e Inclusão Produtiva das Juventudes, com trajetória de quase três décadas em desenvolvimento de negócios, relacionamento B2B, gestão e desenvolvimento de pessoas. Atua na conexão entre empresas, aprendizagem profissional e formação de jovens talentos, com experiência no relacionamento com áreas de Recursos Humanos, DHO, Talent Acquisition, Compras, ESG e lideranças empresariais. É idealizador do Contrate Aprendiz, plataforma independente de informação, conexões e oportunidades para empresas.